O inverno não pode durar tanto. Desejei violentamente o frio para petrificar meus sentimentos. Conservaria o tempo e a evolução. Seguiria sem trilhar caminhos óbvios e encontraria a tranqüilidade. O frio cortou minha pele. O sorriso falso foi interrompido por uma rápida rachadura. A dor não incomoda tanto, e sim a cicatriz de pensar nela. Neste interlúdio, separa e resseca. O inverno mudou de sensações, de cores, de significado. O frio já não mais congela, acaricia. A evolução. O caminho surpreende mais uma vez tortuoso. Não há cura para a cicatriz. Há intervalos para a dor. O pensar interrompido auxilia no respirar do ar seco. O inverno durou pouco. Não quero esperar nada, mas espero. Involuntário é como as plantas aguardam primavera para florescer e depois, morrem secas e sozinhas. E daí? Quem se importa com a morte breve e solitária das flores? Haverá outras novas no mesmo lugar.
