quinta-feira, 19 de maio de 2011

Confissões de um curto inverno

O inverno não pode durar tanto. Desejei violentamente o frio para petrificar meus sentimentos. Conservaria o tempo e a evolução. Seguiria sem trilhar caminhos óbvios e encontraria a tranqüilidade. O frio cortou minha pele. O sorriso falso foi interrompido por uma rápida rachadura. A dor não incomoda tanto, e sim a cicatriz de pensar nela. Neste interlúdio, separa e resseca. O inverno mudou de sensações, de cores, de significado. O frio já não mais congela, acaricia. A evolução. O caminho surpreende mais uma vez tortuoso. Não há cura para a cicatriz. Há intervalos para a dor. O pensar interrompido auxilia no respirar do ar seco. O inverno durou pouco. Não quero esperar nada, mas espero. Involuntário é como as plantas aguardam primavera para florescer e depois, morrem secas e sozinhas. E daí? Quem se importa com a morte breve e solitária das flores? Haverá outras novas no mesmo lugar.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Medo do mesmo

Amor cansado
Dias contados
Sonhos cortados

Alegrias falsas
em tudo o que estava
Escondido
Sufocado
transformado em lamurias
Pandora
aberta na loucura

Impulso desentendido
Exigências temidas
Alma corroída
Medo do mesmo
Mais é menos

Fantasma que persegue
e confunde
trapaceia
ilude

Valor morto
torto
torpe
insosso

Igual e igual e igual
nada tinha de especial

Morte do brilho
embaixo dos trilhos
do impulso perdido
na ilusão do sentido
na mentira contada
agonia temida
faz triste
temida
qualquer chance perdida
de ser maior diferente
do mesmo medo de sempre.

sábado, 22 de maio de 2010

Weakness

I really hate your weakness. I tried to eat it all inside out, throw it up as a feeling to make you stronger, but it didn´t work. I kept some of it in me. I became weaker. I cried it out yesterday and today I´m putting it into words. Such ugly words. You are the only one to blame. And for some moments I thought it was me! How could I become so ridiculous? Now I realize I´m not what you need. You need someone as weak as you. Not more. Not less. You need the same. You need to believe in the illusion of love. And you need someone who also believes. Someone boring. Far away of being special. Because you can´t handle special. It flies away. It has spirit. It kisses you as you have never kissed anything before. It shouts at you so that you can wake up from your boring life. It is not and never will be stuck. Today I realize, I am not sorry at all. You should thank me for giving you some of it. Go boring.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Por uma gota


O texto começava com uma lágrima, mas não havia sensibilidade o suficiente para uma interpretação acordada. Por isso, depois, uma gota de chuva que escorria lentamente na janela de vidro de um lindo apartamento branco iluminado por uma luminária laranja perdeu-se. Era possível haver um imagem límpida e suave pois a escuridão representa melhor o sono profundo despreocupado.

No fundo de uma banheira o silêncio acolhe mais ainda aquele que descansa inerte. De repente, uma gota intrusa, vinda com um míssil, vibra em águas calmas em uma explosão de desassossego.
Ele acorda em meio a gotas de chuva que molham uma a uma cada parte do seu corpo cansado. Sente o frio em seus ossos, o gelo em seu rosto, e procura abrigo para o perigo de encharcar sua alma. Era como se sentia, perdido em um pedido de descanso. Normalmente, costumava gostar de chuva, mas não quando queria um aconchego quente e brando.
O casarão casava com a escuridão. Não havia quase nada em seu interior, e tudo o que havia parecia entrelaçado em um círculo. Ecos reverberando entre os espelhos intactos e os furos no teto que deixavam escapar o som e respingar a água. Dentre os reflexos ele mirou um grandioso quadro. Cada detalhe da fotografia derretia suavemente. Esse fenômeno só não intrigava-o em deleite, destacava a beleza de uma já linda moça. Transformava-a aos poucos em uma exuberante mulher.
A indecisão o tocou quando percebeu que em algum momento a imagem estaria por toda apagada. Haveria de fazer uma escolha,e escolhas não lhe agradavam, pois parecia sempre escolher em equívoco. Preferia agora, depois de tanto, ser escolhido, desejava que a vida o abraçasse e o embalasse em um infinito mar de tranqüilidade.
E o mar o lembrou da água que desfazia em beleza hipnotizante a figura feminina. Que aconteça o que deve acontecer, refletiu. Seria triste, porém espetacular assistir ao desmanchar cujo o ápice seria uma explosão de beleza radiante. Não seria o destino dela desaparecer dessa forma bela?
O reflexo de seu pensamento tocou em um espelho e voltou. Mas por que estou aqui então? Sua presença seria parte do destino e haveria ele de interferir para que beleza continuasse a existir?
Não foi o impulso de herói que que o moveu. E sim a curiosidade de um homem que necessitava tocar algo tão esplendido que quanto menos tinha seu auxílio mais belo se tornava. E ao esticar a mão sedenta a tinta secou. E uma voz tão terna quanto o rosto macio soou.
Eu estava esperando por você. Mas não sabia que viria tão depressa. Não era necessários e apressar. Veja só, você está todo molhado e com frio. Poderia ter esperado essa chuva toda passar.
Não sabia.
Não há problema algum. Na verdade, confesso que a sua presença me surpreendeu. Muitos estiveram aqui. E saíram hipnotizados, com medo talvez. Sempre achei que há muitos espelhos, espaço e confusão. Reflexos não são a verdade. Não sei porque eles se assustaram tanto e partiram.
Pois é.
E você, foi corajoso ou curioso.
Não sei.
É claro que sabe. Sempre sabemos o que nos move. Só não gostamos ou não queremos assumir e muito menos pensar sobre isso. Mas talvez é o que nos faça seguir em frente.
Ela observou que no espelho molhado as gotas distorciam o rosto simétrico dele. Ela em um toque angelical, passa a mão para secar o espelho. Com esse gesto, mostra ao até então desatento que, a perfeição não dorme por conta de seus detalhes que respingam um a um sem interrupção. Esses detalhe vivem na ação de enxergar o melhor no outro e e de mostrar ao outro que simplesmente existe. Basta apenas escolher qual gota enxugar. De mãos dadas eles seguem molhados descompassados e às vezes secos pelas circunstâncias.
Uma gosta cítrica de suor salgado arder o olho e despertar em culpa o ser adormecido. Faz lembrar que há sonhos do sono profundo. Ele acorda do sono molhado e em um suspiro assustado e enxuto. Parou de chover.
Sua moça linda mulher exuberante estava ao seu lado. De olhos brilhantes abertos observava-o em seu sono de sonhos afogados. Ela adorava fazer isso. Esperar o sol invadir as frestas e iluminar o que já era iluminado. Gostava de ver brilhar aos poucos cada fio de cabelo louro ao sol dourado. De ver o ruivo de poucos fios do rosto alegrar a feição tranquila. Esperava o momento mais bonito. Ela amava o abrir dos olhos do amado e a mudança de cor esférica coma força da luz natural. O sol pintava de cores perfeitas a manhã mais alegre assim.
Ele suspirou e a abraçou em um alívio de fazê-la mais segura do que nunca em seus braços sente uma última gota. Ele ouve o rosto terno:
Eu sempre sonhei com momentos como esse.
A lágrima sensível no rosto alheio fez sentido.
O texto transformou-se em pintura escrita. A raiva, ternura transcrita em palavras agora congeladas que correm o risco dos respingos e do derreter aflito.

09/08/06

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Ilha do Medo

Com roteiro de Laeta Kalogridis adaptado do livro "Prisioneiro 67" de Dennis Lehane, dirigido pelo habilidoso Martin Scorsese, "Ilha do medo" pode ser uma estranha viagem à diversas referências de filmes de terror, noir,suspense psicológico entre outros. Scorsese faz referência a Scrorsese. A neblina no início do filme presente também e "Taxi Driver" nos coloca numa posição de dúvida. Nada está claro. Tudo nebuloso mesmo. Talvez, referência a "O iluminado" adaptação de Kubrick para o livro de Stephen King. A grandeza das portas que se abrem e se fecham e a trilha sonora marcante de tão medonha. E a ala C, tão falada, frisada, como nos famosos filmes B, é um labirinto a lá Hitchcock. E assim por diante. O espectador se perde junto com a personagem de Leonardo DiCaprio, Teddy Daniels, com seus traumas, sua busca pessoal mascarada pela distintivo policial. Lindas cenas de flashback. em uma delas, a esposa de Teddy Daniels, se vira, e volta, duplicada, parecendo um erro grosseiro de edição, causando um efeito perturbador. Assim como as cenas de interrogatório. A mulher entrevistada, pega um copo invisível, toma um copo de água vazio, e coloca um copo meio cheio na mesa. Erro de continuidade? Ou devaneio da mente da personagem? E o que dizer das imagens do Holocausto? Tão peculiares da mente de Teddy Daniels, que pareciam uma obra de arte congelada pelo terror e sangue.
Obrigada Scorsese por se arriscar mais uma vez em um gênero difícil e tido como previsível.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Post atrasado!

A cerimonia do Oscar foi surpreendente esse ano. Finalmente! E que bom para as mulheres. Kathryn Bigelow foi a primeira mulher a ganhar o prêmio de melhor direção pelo filme Guerra ao Terror, que também ganhou como melhor filme. O melhor é que esse filme concorreu com o superestimado Avatar de James Cameron, curiosamente ex-marido de Kathryn.
Lembrei de um outro momento, não tão glorioso, mas tão curioso quanto.Quando Tom Cruise se divorciou de Nicole Kiddman e a carreira da bela despontou.
Voltemos para a vida real. Todas nós podemos alcançar tudo o que queremos sem necessariamente estar a sombra de um homem.
Não sou feminista. Muito pelo contrário, adoro pequenos mimos.
Mas adoro ser independente.
Vamos nos doar a nós. Nos amemos em primeiro lugar.
Tudo acontecerá naturalmente em função desse autorepeito.
Pois se esse não existir...Nada de bom nos alcançará...
Parabéns a todas as mulheres independentes!

sábado, 6 de março de 2010

Why, why?

Why do I care so much?
Things which are boring
people...

Some people
know how to be poor
far from being humans
some kind of monsters
hidden
behind their fake smiles

Easy words
hard to believe
in such ideas

I should pitty you all
but I cannot for now

I am sorry for me
I should have fun
Do not mind

Why, why
Am I
so sad,

Dead,
Influenced by what is ugly...